Esse sentimento incontido,

Que me bate em estampido.

Um gritar rugido,

Cava a alma em seu jazigo.

Vem o amar calmo,

Como o cantar de salmo.

Eleva o espírito,

Abafa esse grito.

Como o rasgar de seda,

Ínsita o pavor da perda.

Entra fundo na alma,

Tranqüiliza e traz calma.

Furtividade de momentos,

Deslizar de mãos e alentos.

Despejar desse pensamento,

Provoca-me desatento.

Tropeço em meu compasso,

Em própria teia me embaraço.

Atravesso um sustenido,

Faço um som todo ganido.

No vai e vem de sensações,

Afogo-me em tentações.

Abro a jaula do meu peito,

Como se já houvesse feito.

Viro o visgo no cordão,

Crio um quase-novo bordão.

Das volúpias sob o crânio,

Meu tesão é alcmânio.

Esta sensação verbalizada,

Corporifica a libido mentalizada.

A chama vira rubra lava,

Que logo em magma trava.

Crava meus olhos em antetempo,

Mostra-me a veracidade do próprio tempo.

Levita meu passado ao vento,

Sinto-me habitáculo de um convento.

Tento cantar um  hino,

Me pego em desatino.

Vou virar minha cabeça,

Quem sabe assim de ti esqueça.

 

 

Em um canto sofrendo calada,
Sortida é a tristeza.
Tristeza de amores perdidos,
Sobre dias mal vividos. 

No escuro de seu pensamento,
Neste inabitável apartamento.
Com o aperto de seu peito,
Ao lembrar o vazio do leito.


Choras a lagrima morna,
Da vida que lhe conforma.
Comemora seus festejos,
Na frustração de seus desejos.

 

Linda como a lua,
Em pele, quase nua.
Como um gesto de carinho,
Leva à boca de encontro ao vinho.

 

Elimina a dor dessa vertigem,
Deixa a alma quase virgem.
E o torpor dessa agonia,
Transpõe-se ao brilho do novo dia.

 

 E acaloram-se os corações,
Junto ao sucumbir do orvalho.
As flores entoam canções,
De esperança ao fim de ralho.

O levante de todos desígnios,
Que muito foram sufocados.
Grita à natureza humana,
Em seus desejos tresloucados.

A libido perene e psique,
Trará o próprio renascer.
Far-se-á novo tudo que há,
Na mesma gana de ser.

Por rios e lagos correrão,
Estrondeando a liberdade.
Sendo floradas de verdade,
Logo amantes as verão....



Novamente sinto como a areia, da idade,
Correndo impiedosamente por entre os dedos.
Novamente sinto o respingar da tempestade,
Na ventania de outubro avivando os medos.

Sua alma estava alva e congelada,
Sabíamos exatamente o que fora feito.
Sem poder compreender o nada,
Estava correndo os sonhos ao seu jeito.

Minha alma inquietada daquele frio,
Sob o desdém de minha própria solidão.
O sentido te todo aquele amar inócuo,
No passar desses dias ermos congelarão.

Busco resguardo em minha mente,
Um resquício da esperança de noites novas.
Encontro-a enamorada novamente,
Aquecendo-a pelos versos de minhas trovas.

Procurando pelo perdão em seu coração frio,
Levado pela crueldade esconde suas cicatrizes.
Me elevo de minha culpa despindo-a de si,
Volto a centrar dor em minhas próprias crises.

Recito outro poema de todo o meu ser,
Aquecendo toda a paixão que ainda em nós.
Derrete-se o gélido temor de nosso ter,
Na real comiseração de toda a nossa vida...

Me deixe ser aquele que vai congelar
Sua alma, apenas por frio na espinha!

Meu Bem

Entre as mais obscuras adegas,

Jaz aquela deleitosa rainha.

Fora deposta?

Fora esquecida?

Ou quiçá, fora apenas posta?

Olhei seu brilho em meio ao empoeiramento,

Na escuridão de tão fria e vasta alcova.

Prontamente fiz-me apaixonar,

De toda a sua história intentar.

Sonhei a época em que dançava ao sol,

Sorria incauta em orvalho sob a lua.

Amei-a por horas em segundos!

Aparei-a no colo e delicadamente

Removi todo o seu descaso...

Devolvi-lhe o antigo brilho...

Fiz abrir-se exalando tudo de sua alma...

Coloquei-a suavemente entre os lábios,

Trazendo à tona a sabedoria da introspecção.

Novamente, ameia por horas em segundos,

Observando seus segredos e sentindo sua paz.

Um gole!

E repete-se toda a egoísta ritualística.

Outro gole...

Ponho-me a descrever e desvendar,

Todos os mistérios de delírios.

Ela, nua...

Tomo-a toda!

Entorpecendo-me em tudo.

Por horas em segundos...

Ela se foi após muita persistência.

Resta-me o saudoso desejo,

De em minha língua seus nuances.

Amada...

 

                                               Cabernet!

 

A brisa morna que acaricia em suave seus cabelos,
Mistura-se ao suave perfume das mais elegantes flores.
A brisa fria entrelaçada aos sussurros de folhas caindo,
O Morno da tarde e o esfriar da noite amáveis dançando.

E lá vem o Outono austral,
perfumado de folhas decíduas.
Colorido do cobre natural,
e da prata nas nuvens suas.

A bruma leve de uma antiga anunciação,
No delicado vai e vem de galhos curvos.
O Cantar sem fulgor em ouvidos de paixão,
de livres desejos que não farão turvos.

... E o Astro cruza o equador celestial rumo ao norte!

 

Nos versos que me opõem,
Nas fontes que me secam,
Neste amargo sorriso,
No tintilar das taças sujas.
Vejo um novo velho sem proposito...
Tal qual o proposito do não ser,
Eis um ser de sentido morno,
Pois, assim na brandaria desses dias,
Vejo os sonhos e em sonhos dormias!

TALVEZ

Talvez,
Se eu agisse de acordo
com o que sinto e anseio
E não ficasse nessa busca desesperada,
para preencher espaços vazios.

Talvez eu encontrasse aquilo
que meu coração necessita.
Não! Não é desejo,
pois desejo é mero egoísmo,
é querer ter, é possuir.

O que eu quero é complemento.
É ver sem enxergar.
É sentir aquilo que carece em mim.
É entregar o que transborda.

Mas como?
Se eu não sou eu,
mas apenas uma imagem
falsa refletida no espelho.

Como procurar algo sólido,
se estou na superficialidade?
Como esperar o verdadeiro,
se a base é ilusão?
Como?

Quero a solidão.
A solidão de mim, para mim.
Quero a solidão que dói,
de tanto estar comigo mesmo.
Quero a solidão de lagarta,
que se fecha no casulo para renascer borboleta.

Quero toda a desilusão possível,
pois quero enxergar
como as coisas realmente são.
Quero me achar em mim,
pois me perdi, não sei aonde
e não me lembro quando.

Quero sentir meu coração batendo
em paz e feliz pelo simples pulsar.
Quero ser o motivo desta alegria,
pois o que esta fora pode mudar ,
pode acabar, mas o que esta dentro, é.

É e simplesmente é.
Não depende.
Apenas é.
Tem existência própria,
começa em si e termina em si.
Não é relativo.
Por não ser relativo não muda, simplesmente é.

Onde esta você que não consigo ver?
Onde você esta?
Que vislumbre tens agora?
Mudou sua direção?
Por que?
E vale a pena?

Onde esta você?
Onde esta seu centro?
O seu ponto de apoio?
O seu ponto de felicidade?
Esta dentro de você ou esta fora?
Esta como os comuns?
A manada que é conduzida sem ao menos saber para onde?

E a sua fortaleza?
Aonde esta?
Se perdeu pelo fascínio?
Nesse labirinto de espelhos e belezas virtuais?

Talvez,
Se eu me ouvisse e sentisse as minhas próprias vibrações.
E eu confiasse mais no que minha alma tenta mostrar a cada segundo.

Talvez e só talvez eu consiga me encontrar!

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